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Os EUA estão num ponto de inflexão. Dominam o mundo na economia. A ferramenta utilizada para este efeito tem sido o dólar, mas a sua eficácia ficou ameaçada quando a Europa (França, Alemanha e Rússia) introduziu o euro.
O dólar é a moeda de reserva do mundo. A moeda americana representa, aproximadamente, 65% de todas as reservas de câmbio oficiais. Mais de 80% de todas as transações estrangeiras e 50% de todas as exportações mundiais são em dólares. Além disso, 100% dos empréstimos do FMI são em dólares. Quanto mais dólares circularem fora dos EUA, ou investidos em ativos americanos, mais o resto do mundo tem de fornecer aos EUA bens e serviços em troca destes dólares.
Para os EUA, imprimir dólares custa pouco internamente. Assim, o fato do mundo utilizar a moeda significa que os EUA importam grande quantidade de bens e serviços, literalmente, de graça. Muitos dólares possuídos por estrangeiros não são gastos com bens e serviços americanos, portanto, os EUA são capazes de manter um enorme déficit comercial sem graves conseqüências. Entretanto, este subiu numa velocidade grande de 4% para 6% do PIB em menos de cinco anos. O objetivo principal do euro é convertê-lo numa moeda de reserva a fim de desafiar o dólar para que a Europa também obtenha ganhos significativos em troca. Isto funcionando seria um desastre para os EUA mudando o eixo principal para a Europa. Perderiam uma grande parte do seu subsídio anual de bens e serviços e a mudança dos países com reservas em dólar para reservas em euros desvalorizaria o valor da sua moeda. As importações começariam a custar de verdade aos americanos. Se possuidores de dólares começassem a gastá-los, os EUA teriam de começar a pagar as suas dívidas com o fornecimento de bens e serviços a países estrangeiros, reduzindo assim, o padrão de vida americano.
Uma vez que os países e os agentes convertessem os seus ativos em dólares para ativos em euros, a bolha imobiliária e o mercado de ações cederiam. O FED não mais poderia imprimir dinheiro para alimentar a bolha, porque, sem estrangeiros para absorvê-los, isto resultaria numa inflação maior. Por sua vez, tornaria os estrangeiros ainda mais relutantes e com aversão em possuírem a moeda americana. No entanto, o grande sustentáculo da moeda americana chama-se petróleo. O petróleo é a mais importante mercadoria da indústria moderna comercializada internacionalmente. E é feita em dólares. Quem não tem petróleo tem que comprar. Se a OPEP aceitasse somente euros pelo seu petróleo, então a dominação econômica americana estaria ameaçada. A Europa não necessitaria de tantos dólares. E o Japão, o maior financiador dos EUA, que importa 80% do seu petróleo do Oriente Médio, poderia converter parte dos seus ativos em dólares por ativos em euros. Os EUA, sendo o maior importador do mundo de petróleo, teriam para manter um excedente comercial de comprar euros. A Europa não tem um enorme déficit comercial nem está endividada para com o resto do mundo e as taxas de juro também são mais atrativas. Tem uma fatia maior do que os EUA no comércio mundial e já é o principal parceiro comercial do Oriente Médio. Até agora apenas um país da OPEP ousou mudar para o euro. Foi o Iraque, em Novembro de 2000. E o preço pago foi sua invasão e a deposição do seu governo pelos EUA. Existe outro país da OPEP com reservas e produção relevantes que tem o mesmo discurso de conversão. Chama-se Irã. Os EUA já definiram que a solução é a via militar. Afinal, petróleo por dólares significa a continuidade da hegemonia americana e, o contrário, a derrocada. |